A organização popular nas favelas e no campo e o papel da Liga dos Camponeses Pobres: uma análise desde o pensamento de Mao Tse-tung
A organização popular nas favelas e no campo e o papel da Liga dos Camponeses Pobres: uma análise desde o pensamento de Mao Tse-tung
Quando a gente olha com atenção para o Brasil profundo, tanto no campo quanto nas favelas, percebe que existe uma necessidade real do povo de construir suas próprias formas de organização. Isso não nasce de moda nem de discurso acadêmico distante. Nasce do aperto, do abandono e da urgência de romper com o sistema que sempre deixou o povo na rabeira. O pensamento de Mao Tse-tung ajuda a entender isso quando afirma que “as massas são os verdadeiros heróis” (MAO TSE-TUNG, 1967). Essa frase parece ter sido escrita para o Brasil, porque aqui é o povo que segura tudo, mesmo sem ter quase nada.
Nas favelas, essa urgência de organização é uma realidade antiga. A falta de serviços básicos e a ausência do Estado empurram os moradores a se ajudarem entre si. São grupos de vizinhos, associações, ocupações, cozinhas coletivas, redes de acolhimento, professores voluntários, mães que viram liderança sem nunca ter pedido para ser. É nessa vida dura, mas cheia de força, que nasce a ideia de uma organização comunista realmente enraizada no território: a Liga das Favelas e Comunidades na Luta por Moradia (L F C M).
A L F C M aparece como nome natural para uma necessidade que já existe na prática. Seria uma organização criada pelos próprios moradores, pelos trabalhadores precarizados, pelos sem-teto, pelos jovens que conhecem os becos melhor que qualquer urbanista, pelas mulheres que seguram a viela no braço, e por quem sente todos os dias o peso do sistema nas costas. Uma organização assim não viria para repetir promessas, mas para representar de verdade um rompimento com o sistema — rompimento no sentido de criar novas formas de viver, decidir e lutar.
Ao mesmo tempo, existem diversas organizações fora dos domínios do Estado que mostram, na prática, que o povo se vira quando o Estado não se vira por ele. Documentos públicos dessas organizações costumam afirmar que “é no movimento vivo das massas que surgem as respostas mais avançadas para enfrentar a velha ordem”. Essa frase se encaixa nas favelas como luva, porque é exatamente ali que o povo descobre, dia após dia, que a saída não vem de cima.
Já no campo, o cenário tem outras exigências. A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) é fruto da vida rural, da luta histórica contra a concentração de terras e do abandono secular das zonas agrícolas. A LCP nasce do próprio camponês, aquele que trabalha na terra sem ter terra. É uma organização que expressa com força a desigualdade agrária brasileira e que defende que qualquer transformação verdadeira precisa nascer do chão da roça. Para muitos trabalhadores do campo, a LCP significa reconstrução, dignidade e capacidade de decisão coletiva.
E aqui entra um ponto importante: cada realidade tem sua forma própria de organização. A LCP é do campo. A L F C M é da favela. Uma não substitui a outra. O camponês enfrenta o latifúndio; o favelado enfrenta o despejo. O camponês luta contra o grileiro; o morador da favela luta contra o aluguel abusivo e a especulação urbana. O campo tem sua geografia, suas dores, seus inimigos. A favela tem os seus. São mundos diferentes, mas que se encontram no mesmo objetivo: romper com o sistema que sempre tentou calar o povo.
Mao Tse-tung explicava que “somente o povo, e mais ninguém, pode impulsionar a transformação” (MAO TSE-TUNG, 1955). No Brasil real, essa frase deixa de ser teoria e vira descrição do cotidiano. Quem vive nos becos e nos roçados sabe que organização não vem pronta. Ela brota da necessidade, da urgência e da criatividade de quem não pode esperar.
Por isso, enquanto o campo segue fortalecido pela LCP, as favelas precisam consolidar sua própria organização: a Liga das Favelas e Comunidades na Luta por Moradia (L F C M). Uma organização que una moradores, sem-teto, trabalhadores informais, juventude periférica e toda a diversidade viva das comunidades urbanas brasileiras. Uma organização que fale do povo para o povo, sem intermediários.
O Brasil, tanto urbano quanto rural, segue criando caminhos para romper com o sistema que insiste em negar dignidade ao seu próprio povo. É um movimento lento, firme e profundo. Como escreveu Mao Tse-tung em 1961, “a força das massas é inesgotável”. No Brasil, essa força pulsa na enxada do camponês pobre e no tijolo carregado pelo morador da favela. Pulsa nos becos, nos roçados, nas ocupações e nas comunidades onde o Estado só aparece depois que tudo já foi feito pelo povo.
O futuro não vai brotar das cúpulas, mas do chão onde o povo pisa.
O campo tem a LCP.
A favela tem o germe da L F C M.
E é dessa base viva que podem surgir caminhos verdadeiros para reorganizar o país.
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