Do Nascimento de Marx à Revolução Mundial - A Teoria Posta em Prática






                      Do Nascimento de Marx à Revolução Mundial - A Teoria Posta em Prática

Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818, em Trier, na Prússia renana (atualmente Alemanha), em uma sociedade marcada por profundas desigualdades sociais e políticas. Filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo, Marx cresceu em um ambiente de formação iluminista e liberal, mas logo se voltou contra o idealismo filosófico dominante, encontrando em Hegel uma base crítica para a construção de sua dialética materialista. Com Friedrich Engels, seu aliado teórico e político, Marx desenvolveu o que chamaram de socialismo científico, rompendo com os socialismos utópicos do século XIX. A obra magna O Capital, publicada em 1867, é o exemplo mais profundo de sua análise da economia política capitalista.

A crítica de Marx ao modo de produção capitalista foi além da economia: articulou a luta de classes como motor da história e a necessidade de superação do Estado burguês. O Manifesto Comunista (1848), também escrito com Engels, apresenta a famosa sentença: "A história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes" (MARX; ENGELS, 2008, p. 45). Sua visão era de uma revolução protagonizada pelo proletariado, abolindo as classes sociais e instaurando uma sociedade comunista.

O pensamento de Marx não permaneceu no campo das ideias. Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa representou a primeira tentativa de aplicar o marxismo em larga escala. Sob a liderança de Vladimir Ilitch Ulianov, conhecido como Lenin, o Partido Bolchevique derrubou o regime czarista e instaurou o poder soviético. Lenin adaptou a teoria marxista às condições específicas da Rússia, um país majoritariamente camponês e atrasado em relação ao desenvolvimento industrial. Para ele, era necessária a organização de um partido de vanguarda que conduzisse o proletariado à tomada do poder (LENIN, 1983).

A Revolução de Outubro inaugurou um novo período histórico: o da transição socialista e da ditadura do proletariado, conforme previsto por Marx. Lenin nacionalizou a terra, estatizou os meios de produção e suprimiu as antigas instituições da burguesia. A vitória soviética provocou reações em cadeia pelo mundo e consolidou a Internacional Comunista em 1919 como ferramenta de organização revolucionária mundial.

Na China, o marxismo-leninismo encontrou em Mao Tsé-Tung sua mais criativa e radical adaptação. Em um país camponês, submetido ao imperialismo europeu e japonês, Mao compreendeu que a revolução teria que se ancorar nas massas camponesas, aliando-as ao proletariado urbano. A Revolução Chinesa de 1949 é fruto de décadas de guerra popular prolongada, construída a partir das bases rurais e da luta armada contra o Kuomintang e os invasores estrangeiros. Mao desenvolveu a teoria da revolução ininterrupta, da luta de duas linhas dentro do partido e do papel da cultura na construção do socialismo (MAO, 2008).

A Revolução Cultural Proletária (1966-1976) foi expressão dessa visão: uma tentativa de impedir a restauração capitalista dentro do próprio partido comunista. Mao propôs que “a revolução deve ser feita com as massas e contra os revisionistas” (MAO, 2008, p. 233). O pensamento de Mao se consolidou como uma terceira etapa do marxismo, além de Marx e Lenin.

Na América Latina, o marxismo-leninismo-maoísmo também encontrou terreno fértil, sobretudo no Peru. O Sendero Luminoso (Partido Comunista do Peru), liderado por Abimael Guzmán (Presidente Gonzalo), iniciou nos anos 1980 uma guerra popular inspirada no modelo chinês. Considerando o Estado peruano como expressão do capitalismo burocrático e do imperialismo, o Sendero declarou a necessidade de destruir o velho Estado por meio da luta armada prolongada, desde o campo até as cidades (GUZMÁN, 1988).

Para o Sendero Luminoso, o marxismo-leninismo-maoísmo é uma ciência viva, que precisa ser aplicada à realidade concreta do país. A guerra popular no Peru, iniciada em 1980, constituiu um exemplo dramático de aplicação dessa linha ideológica. Apesar das críticas e da brutal repressão estatal, o movimento conseguiu criar zonas liberadas e estabelecer comitês populares, desafiando diretamente o Estado burguês.

A trajetória que liga Marx aos revolucionários do século XX e XXI não é linear nem dogmática. Trata-se da aplicação viva de princípios fundamentais — luta de classes, ditadura do proletariado, abolição da propriedade privada dos meios de produção — às condições concretas de cada país. Como disse Marx, “os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo” (MARX, 2007, p. 115).

A atualidade do marxismo permanece viva na luta contra o neoliberalismo, o imperialismo e a opressão de classe. As experiências revolucionárias do século XX, com seus acertos e erros, são a prova histórica de que a teoria de Marx não apenas interpretou o mundo, mas moveu massas, construiu Estados, enfrentou impérios. De Marx a Lenin, de Mao a Gonzalo, a revolução permanece uma necessidade urgente frente ao sofrimento das massas exploradas em todo o mundo.

Referências (ABNT):

GUZMÁN, Abimael. Entrevista ao jornal El Diario. Lima: 1988.

LENIN, Vladimir Ilitch. O que fazer?. São Paulo: Centauro, 1983.

MAO TSE-TUNG. Sobre a prática e outras obras filosóficas. São Paulo: Centauro, 2008.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Boitempo, 2008.

MARX, Karl. Teses sobre Feuerbach. In: MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

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