A China Não é um País Imperialista
A China Não é um País Imperialista
Por Prof. Marxcello
A caracterização da China como uma potência imperialista é objeto de controvérsia no campo marxista. Retomando os fundamentos de Lenin (2017), o imperialismo consiste em uma fase superior do capitalismo, marcada por cinco elementos essenciais: a concentração do capital em monopólios; a fusão do capital bancário com o industrial; a exportação de capitais; a formação de monopólios internacionais; e a partilha do mundo entre potências. Ainda que a China apresente elementos como exportações de capital e grandes conglomerados, sua conduta internacional e sua política externa não correspondem à prática imperialista nos moldes clássicos.
John Rapley (2023) demonstra que os investimentos chineses no exterior, notadamente na África e na América Latina, ocorrem sob acordos bilaterais, sem a imposição de regimes políticos ou presença militar, diferenciando-se das práticas ocidentais de domínio. Tais investimentos, com frequência, são estruturados como cooperação entre Estados soberanos, no que poderia ser entendido como uma estratégia de desenvolvimento Sul-Sul.
A ausência de uma presença militar significativa em países estrangeiros reforça esse argumento. Segundo Katz (2021), a China mantém apenas uma base militar fora de seu território — em Djibouti — voltada para o apoio logístico em missões internacionais, como operações contra pirataria, e não como instrumento de dominação geopolítica.
Além disso, como aponta Lodi (2021), a política externa chinesa pauta-se pela não intervenção e respeito à soberania, afastando-se da lógica imperialista de subjugacão. Essa política está diretamente relacionada à experiência histórica da China, especialmente ao chamado "século de humilhação", período entre as Guerras do Ópio e a fundação da República Popular, no qual o país foi alvo de intervenções e saques por potências imperialistas. Tal memória histórica molda uma política externa defensiva e de não replicação da lógica colonial.
Se é verdade que a China se insere nas dinâmicas capitalistas globais, também é verdade que ela o faz de forma específica. Ao invés de exportar capital com fins de domínio político e militar, suas ações externas parecem voltadas à estabilidade econômica e à consolidação de sua soberania nacional em um mundo multipolar.
Conclui-se, portanto, que a China, embora exerça influência econômica global e atue de maneira assertiva no sistema internacional, não se configura como um país imperialista sob a perspectiva marxista-leninista. O conceito de imperialismo não pode ser esvaziado de seu conteúdo histórico e teórico para ser utilizado como mero adjetivo geopolítico.
Referências
KATZ, Claudio. China: distante do imperialismo e do Sul global. Outras Palavras, 2021. Disponível em: https://outraspalavras.net. Acesso em: 11 maio 2025.
LENIN, Vladimir Ilich. O imperialismo, fase superior do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2017.
LODI, Luiz Augusto de Castro Neves. A China é um país imperialista? As implicações de uma "classificação". Esquerda Diário, 2021. Disponível em: https://esquerdadiario.com.br. Acesso em: 11 maio 2025.
RAPLEY, John. O mito do imperialismo chinês. Jornal GGN, 2023. Disponível em: https://jornalggn.com.br. Acesso em: 11 maio 2025.
WIKIPÉDIA. Século de humilhação. Wikipédia, a enciclopédia livre, 2023. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_de_humilha%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 11 maio 2025.
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