A Luta Parlamentar em Lênin e a Unidade Popular Contra o Fascismo no Brasil

Texto revisado em: 06/12/25


A Luta Parlamentar em Lênin e a Unidade Popular Contra o Fascismo no Brasil

Introdução

A reconfiguração da luta política no Brasil, diante do avanço do fascismo, coloca novamente no centro do debate a necessidade de reorganizar e unificar as forças populares de esquerda. Nesse contexto, compreender a tática parlamentar sob a ótica marxista-leninista torna-se fundamental, não como estratégia de conciliação, mas como instrumento de combate político articulado à luta de massas. Vladímir Lênin dedicou especial atenção a esse tema, particularmente nas obras Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo (publicada em 1920) e O Estado e a Revolução (publicada em 1917), nas quais expõe a função do parlamento burguês dentro da estratégia revolucionária. Assim, este estudo tem como objetivo analisar, reformular e aprofundar o conteúdo apresentado no poste inicial, inserindo-o no desafio histórico contemporâneo: a construção da unidade popular antifascista no Brasil.


A Tática Parlamentar na Teoria Leninista

A participação comunista no parlamento sempre gerou controvérsias internas no movimento revolucionário. Lênin rejeita a recusa abstrata e voluntarista dessa arena política, afirmando que tal postura corresponde a “uma incompreensão infantil da realidade revolucionária” (LENIN, 2017, página 53). O parlamento, ainda que seja uma instituição burguesa, permanece como um espaço no qual amplos setores da população depositam expectativas, razão pela qual os comunistas devem nele atuar com finalidade pedagógica, crítica e agitativa.

Lênin sustenta que abandonar completamente as eleições equivale a entregar milhões de trabalhadores à influência da ideologia burguesa, visto que “enquanto houver trabalhadores que acreditem no parlamento, é dever dos comunistas lutar também ali” (LENIN, 2017, página 61). Assim, a luta institucional não substitui a luta revolucionária, mas a complementa, funcionando como mecanismo de denúncia, educação e politização das massas.


O Parlamento como Tribuna Revolucionária e Espaço de Denúncia

Na obra O Estado e a Revolução, Lênin reafirma que o objetivo final do proletariado não consiste em aperfeiçoar o parlamento burguês, mas em superá-lo estruturalmente: “a tarefa histórica do proletariado é destruir a máquina estatal burguesa” (LENIN, 2017, página 41). No entanto, enquanto tais condições históricas não se encontram suficientemente maduras, utilizar o parlamento como tribuna revolucionária constitui parte da estratégia geral do movimento comunista.

O economista marxista Ernest Mandel recorda que a tática parlamentar marxista “não busca administrar o capitalismo, mas torná-lo insuportável aos olhos das massas” (MANDEL, 2008, página 44). A intervenção comunista em instituições burguesas serve, portanto, ao processo de esclarecimento político e à ampliação da consciência de classe, expondo os limites estruturais do sistema.


O Enfrentamento do Fascismo e a Necessidade de Unidade Popular no Brasil

A ascensão do fascismo no Brasil — marcada pelo irracionalismo político, pela violência organizada, pela manipulação religiosa e pela militarização da vida social — exige uma leitura tática à altura das orientações leninistas. Em situações de ofensiva reacionária, a unidade das forças populares torna-se componente indispensável da defesa democrática e da construção de um bloco contra-hegemônico capaz de enfrentar tendências autoritárias.

Ao analisar a relação com setores não revolucionários, Lênin afirma que, em determinadas conjunturas, “é necessário caminhar junto com todos os trabalhadores, inclusive aqueles que ainda seguem líderes oportunistas” (LENIN, 2017, página 74). Esse princípio fundamenta a construção de frentes amplas com objetivos concretos, sem renunciar ao horizonte estratégico socialista.

Aplicada ao Brasil contemporâneo, essa orientação implica:

  • articulação entre sindicatos, movimentos de periferia, organizações estudantis e partidos de esquerda;

  • uso do parlamento como instrumento de denúncia constante do projeto fascista;

  • construção de redes populares de solidariedade material;

  • combate ideológico rigoroso ao discurso autoritário, anticomunista e anti-intelectualista.

Engels, ao discutir o Estado como “instrumento de repressão de uma classe sobre outra” (ENGELS, 2012, página 207), evidencia por que o fascismo busca controlar as instituições para ampliar a violência estatal. Desse modo, a unidade popular transforma-se em elemento decisivo para impedir o avanço dessa forma de contrarrevolução preventiva, que se apresenta como resposta burguesa diante de crises profundas do capitalismo.


A Atuação em Sindicatos e Organizações de Massa

Lênin condena com veemência os grupos que se recusavam a atuar em sindicatos dirigidos por reformistas, afirmando que “abandonar os sindicatos significa abandonar as massas” (LENIN, 2017, página 67). A construção de uma unidade antifascista no Brasil exige, portanto, intervenção consequente e contínua em:

  • sindicatos;

  • movimentos populares de moradia;

  • organizações comunitárias;

  • coletivos antirracistas e feministas;

  • entidades estudantis;

  • frentes de trabalhadores em condição de precarização.

O fascismo somente é derrotado por meio de mobilização popular efetiva, concreta e permanente — jamais apenas por discursos parlamentares ou enfrentamentos institucionais isolados.


Conclusão

A análise renovada de Lênin, à luz da conjuntura brasileira, demonstra que a luta parlamentar, longe de representar capitulação, integra uma estratégia que combina ação institucional com organização de base. Diante da ameaça fascista, a esquerda brasileira necessita articular força social e ação tática, unificando movimentos populares, trabalhadores e juventude em um projeto coletivo de enfrentamento, resistência e superação da ordem reacionária.

A tática leninista apresenta o caminho: atuar em todos os espaços nos quais o povo está presente, elevando a consciência política, incentivando a organização popular e construindo as bases materiais para a derrota histórica do fascismo e para o avanço rumo à transição socialista.


Referências (formato ABNT)

ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Sexta edição. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

LENIN, Vladímir Ilitch. Esquerdismo, doença infantil do comunismo: uma tentativa de análise da situação mundial. Terceira edição. São Paulo: Expressão Popular, 2017.

LENIN, Vladímir Ilitch. O Estado e a revolução: o que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução. Quinta edição. São Paulo: Boitempo, 2017.

MANDEL, Ernest. O significado da luta parlamentar para os marxistas. São Paulo: Sundermann, 2008.


Prof. Marcelo Pacce





Fonte: https://www.google.com/

         A Luta Parlamentar segundo Lênin

No estudo da história das revoluções e da política, um dos grandes debates dentro do movimento comunista foi sobre a participação em eleições e parlamentos burgueses. Vladímir Lênin, líder da Revolução Russa de 1917 e teórico marxista, tratou desse tema em várias obras, principalmente em "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" (1920) e "O Estado e a Revolução" (1917).

                                                                                 A Importância da Luta Parlamentar

Para Lênin, mesmo que o parlamento seja controlado pela burguesia, ele pode ser utilizado pelos comunistas para divulgar suas ideias e mobilizar a população. Isso significa que os comunistas não devem rejeitar as eleições e os debates nos parlamentos, mas sim usá-los como uma ferramenta de luta revolucionária.

No livro "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo", Lênin critica aqueles que se recusam a participar das eleições, chamando essa postura de "doença infantil do comunismo". Ele afirma que abandonar completamente o parlamento é um erro, pois os trabalhadores ainda não estão totalmente organizados e precisam ouvir as ideias revolucionárias nos espaços políticos existentes.

                                                                                     O Papel do Parlamento na Revolução

Lênin explica que, embora a democracia burguesa seja limitada e controlada pelos ricos, os comunistas devem usá-la enquanto for útil. Isso significa que:

  • Os comunistas devem disputar eleições, mas sem criar ilusões sobre a possibilidade de transformar o sistema por meio do parlamento.
  • Os parlamentares comunistas devem agir como tribunos revolucionários, denunciando as injustiças do sistema e mostrando ao proletariado a necessidade de uma revolução.
  • O parlamento deve ser usado como meio de organização das massas, preparando-as para mudanças mais profundas.

No livro "O Estado e a Revolução", Lênin afirma que o objetivo final do proletariado não é manter o parlamento burguês, mas sim substituí-lo por uma nova forma de governo baseada nos conselhos de trabalhadores, os sovietes. No entanto, antes de isso ser possível, os comunistas devem utilizar todos os meios disponíveis para educar e mobilizar o proletariado.

           Atuação em Outras Organizações Não Comunistas

Além do parlamento, Lênin também defende que os comunistas participem de sindicatos e outras organizações de trabalhadores, mesmo que sejam controladas por grupos reformistas ou conservadores. Ele explica que essas organizações reúnem milhões de trabalhadores, e é dentro delas que os comunistas devem atuar para conquistar apoio.

Ele critica os comunistas que se recusam a entrar nessas organizações, dizendo que isso significa abandonar os trabalhadores à influência da burguesia. Segundo Lênin, a luta revolucionária precisa ser feita em todos os espaços possíveis, desde o parlamento até os sindicatos e fábricas.


A estratégia de Lênin mostra que a luta política não deve ser limitada a apenas um campo. Embora o parlamento burguês seja um espaço dominado pela elite, ele pode ser usado pelos comunistas como uma ferramenta de propaganda e organização da revolução. Ao mesmo tempo, é essencial atuar diretamente entre os trabalhadores, dentro de sindicatos e outras organizações, para construir uma verdadeira força revolucionária.

Esse pensamento influenciou diversos movimentos comunistas ao longo do século XX e continua sendo debatido nos dias atuais.


LENIN, Vladímir Ilitch. Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo: Uma Tentativa de Análise da Situação Mundial. 3. ed. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2017.

LENIN, Vladímir Ilitch. O Estado e a Revolução: O Que Ensina o Marxismo Sobre o Estado e o Papel do Proletariado na Revolução. 5. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.

MANDEL, Ernest. O Significado da Luta Parlamentar para os Marxistas. São Paulo: Editora Sundermann, 2008.

ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. 6. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

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